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No Chile, Bolsonaro afirma que lei trabalhista tem de “beirar a informalidade”

Durante a viagem ao Chile, realizada neste final de semana, Bolsonaro voltou a dizer que os trabalhadores brasileiros ganham muito e que a legislação trabalhista no Brasil precisa “beirar a informalidade”.

Declaração de Bolsonaro ocorreu em reunião com empresários no Chile. “A equipe econômica nossa também trabalha uma forma de desburocratizar o governo, desregulamentar muita coisa. Tenho dito à equipe econômica que na questão trabalhista nós devemos beirar a informalidade porque a nossa mão-de-obra é talvez uma das mais caras do mundo”, disse Bolsonaro. A afirmação foi dita em um café da manhã com empresários chilenos.

Não é a primeira vez que Bolsonaro defende essa proposta. Em dezembro, já depois de ser eleito, também declarou que “é horrível ser patrão no Brasil”, afirmando que a legislação no país atrapalha e, portanto, precisa beirar a informalidade. Ou seja, não deve haver de direitos.

Cara de pau! Bolsonaro se aposentou aos 33 anos de idade e atua na política há quase 30 anos. Não sabe o que é bater cartão, receber baixos salários e trabalhar de verdade. É um verdadeiro escárnio ele defender o fim da legislação trabalhista no país e condições precárias para os trabalhadores!

O presidente defende uma proposta absurda como essa num país em que o desemprego e o número de pessoas fora do mercado de trabalho já é recorde. Segundo dados oficiais do IBGE, em janeiro, havia cerca de 12 milhões de desempregados no país. Se considerar o número de desalentados (que desistiram de procurar emprego por que não há vagas) são mais 4,7 milhões de pessoas. Isso sem contar dados que mostram que o número de carteira assinada no país vem caindo e o número de brasileiros que sobrevivem de “bicos” aumenta.

Ou seja, ao invés de resolver o problema do desemprego e da informalidade, Bolsonaro defende que todos os trabalhadores passem a viver em condições de informalidade, ou seja, com salários ainda mais baixos, menos direitos e em condições precárias.

Além de Reforma da Previdência, nova reforma trabalhista. A Reforma Trabalhista foi aprovada no governo Temer, em 2017, com o falso argumento de que geraria empregos. Hoje, pesquisas demonstram que não passava de uma grande mentira de fato. O desemprego não só aumentou, como as poucas vagas criadas no período são empregos informais (portanto, sem direitos e de baixa renda). O que cresceu são os chamados “bicos”.

Bolsonaro votou a favor dessa nefasta Reforma Trabalhista e, como se não bastasse, agora seu governo defende uma nova reforma. O ministro da Economia Paulo Guedes já anunciou que pretende criar a chamada “carteira de trabalho verde e amarela”. Uma carteira de trabalho com menos direitos.

Para a dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Renata França, o governo Bolsonaro quer atacar a aposentadoria, a Previdência e os direitos trabalhistas para favorecer empresários, banqueiros e o agronegócio do país.

“O projeto do governo Bolsonaro tem como centro apenas medidas que favorecem o empresariado. Por isso, pretende privatizar geral, entregando todo o patrimônio do país para gerar lucros à iniciativa privada; quer fazer a Reforma da Previdência para favorecer os bancos com a previdência por capitalização e pagar os juros da Dívida Pública; e aprofundar ainda mais o ataque aos direitos trabalhistas. Por isso, fechou o Ministério do Trabalho, ataca os sindicatos e quer a carteira verde e amarela”, denuncia Renata.

“Esses ataques só poderão ser barrados com uma forte mobilização dos trabalhadores. No último dia 22, a classe trabalhadora tomou as ruas contra a Reforma da Previdência em todo o país. Começamos bem a batalha. Agora, a tarefa das centrais sindicais e sindicatos é intensificar essa luta e começarmos a construir a Greve Geral para mostrar que não aceitaremos a perda de direitos”, defende a dirigente.

Fonte: CSP-Conlutas

Vídeo- reforma da Previdência com a professora Sara Granemann

REFORMA DA PREVIDÊNCIA DE BOLSONARO, PONTO A PONTO | Com a professora da Escola de Serviço Social da UFRJ Sara Granemann, especialista em previdência pública e privada. Todos os principais pontos da proposta de PEC 6/2019 apresentada pelo governo.  A professora da Escola de Serviço Social da UFRJ, Sara Granemann, analisou os principais pontos do projeto de lei enviado pelo governo Bolsonaro, horas após o envio ao Congresso Nacional, no dia 20 de fevereiro.

Fonte: Esquerda Online

Prestação de contas e debate sobre conjuntura internacional abrem reunião da Coordenação Nacional

O ponto político do primeiro dia da reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, no dia 22, foi dedicado a debater sobre a conjuntura internacional, seus efeitos e as perspectivas para a classe trabalhadora. A continuidade da crise econômica mundial iniciada em 2008, a situação na Venezuela, a luta dos coletes amarelos na França, entre outros temas, foram abordados pelos debatedores e presentes.

Antes da mesa ser composta houve uma homenagem ao camarada Dirceu Travesso, histórico dirigente do setorial internacional da Central, falecido há cinco anos. Didi faria 60 anos de idade no próximo domingo e sua vida dedicada à defesa da classe trabalhadora e à revolução socialista foi lembrada e marcou momento de emoção da reunião.

Em seguida, os dirigentes da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Herbert Claros e Joeferson Almeida deram início às exposições sobre a situação mundial, após a exposição de um vídeo sobre a luta dos trabalhadores “coletes amarelos”, que toma as ruas da França desde o final do ano passado.

Herbert iniciou destacando que a luta dos coletes amarelos relatada no vídeo é simbólica, pois é expressão das contradições do capitalismo mundial, que impõe atualmente uma profunda degradação social e ataques aos trabalhadores em todo o mundo, mas que, em contrapartida, também vem enfrentando muita resistência.

“Vivemos uma guerra social desencadeada pelo capital desde a eclosão da crise econômica mundial em 2007-2008 que segue com seus efeitos e implicações até hoje. Temos assistido a retirada de direitos, ataques às condições de vida, planos de ajustes fiscais. Processos em que a burguesia atua para salvar seus lucros, como fez quando a GM entrou em bancarrota e o governo dos EUA salvou a empresa com dinheiro público, num processo de quase estatização, para depois devolvê-la sanada à iniciativa privada”, disse. “Assistimos processos em que mesmo quando demitem, anunciam fechamento de fábricas, as ações sobem na Bolsa, pois é assim que funciona o capitalismo”, analisou.

A Venezuela, que vive uma grave crise humanitária e política, sob o risco de uma intervenção do governo Trump, com apoio do governo de ultradireita de Bolsonaro, foi destacada por Herbert. “Na atual situação nossa posição deve ser primeiramente de rechaço à ameaça da intervenção imperialista, e isso não há dúvida. Mas também devemos denunciar Maduro e Guaidó, que não representam uma saída para os problemas do povo venezuelano. Só a luta dos trabalhadores e do povo da Venezuela pode mudar a situação do país”, afirmou.

O dirigente falou ainda de inúmeras mobilizações que ocorrem em todo o mundo, citando greves de professores como nos EUA, Palestina e México, categoria que, segundo ele, está na vanguarda das lutas em vários países; a luta dos palestinos contra a opressão do Estado de Israel; greves de metalúrgicos no México, entre outras. Concluiu afirmando que a tarefa da esquerda é dar aos trabalhadores uma perspectiva socialista como saída para a crise.  “Precisamos falar de socialismo, pois só assim não assistiremos mais casos como a tragédia em Brumadinho, o incêndio matando jovens como no CT do Flamengo e outras mazelas”, concluiu.

O professor Joeferson Almeida também centrou sua fala analisando a crise econômica mundial. “Há economistas e analistas que dizem que a partir de 2017 começou a se retomar a recuperação do capital, mas é preciso um olhar mais atento para observarmos que não é bem assim”, falou.

“Os capitalistas e governos usaram de diversos mecanismos para evitar os efeitos mais nefastos da maior crise desde 29 e manter seus lucros. O que vemos é que os empregos criados são precarizados, houve crescimento de PIBs, mas as dívidas públicas dos países e das famílias e empresas cresceram vertiginosamente. Aprofundaram um cenário caótico, que segundo análises, em curto e médio prazo, trará uma crise ainda pior”, explicou.

“É para isso que os trabalhadores têm que se preparar no próximo período e se organizar para enfrentar governos como Bolsonaro, no Brasil, Trump, nos EUA, e o avanço de governos de ultradireita”, disse.

Joeferson também destacou o processo de lutas existente no mundo. “Nesse período vimos que há insatisfação das massas com as alternativas da burguesia. Nossa classe tem procurado novas alternativas. Mas, navegamos um oceano perigoso. A dificuldade da esquerda em apresentar uma alternativa radical resultou em Bolsonaro, no Brasil, em Trump, nos EUA, no crescimento do fascismo na Grécia. O desafio da esquerda é apresentar essa alternativa e ganhar as massas”, afirmou. Sobre a Venezuela, Joeferson defendeu que a principal tarefa no momento é rechaçar qualquer intervenção imperialista no país.

Após a exposição inicial dos debatedores, os presentes no plenário fizeram várias intervenções, demonstrando democraticamente a pluralidade de ideias na Central e enriquecendo o debate. Temas como a situação na Argentina; a luta das mulheres, inclusive o chamado à greve internacional no dia 8 de Março; a reestruturação que vem sendo implementada pelas montadoras como a GM e Ford, também foram temas que se destacaram nas intervenções.

O Setorial Internacional da CSP-Conlutas se reunirá neste sábado para propor resoluções sobre o tema, como sobre a Venezuela, que serão votadas no domingo.

Prestação de contas

No primeiro dia de reunião da Coordenação Nacional, também foi apresentada a prestação de contas da Central referente ao ano de 2018. Após exposição de planilhas de receitas e despesas do período e da Comissão de Finanças tirar as dúvidas do plenário, a prestação foi aprovada pelos presentes.

Veja também: 

*Painel debate situação de quilombolas, indígenas, trabalhadores rurais e migrantes
*Reforma da Previdência, governo Bolsonaro e tarefas são temas no 2° dia da Coordenação da CSP-Conlutas

Fonte: CSP-Coluntas

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